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25/Sep/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Chanucá

Conhecimento Vs Sabedoria

Conhecimento Vs Sabedoria

Por que o Império Grego não sobreviveu mais que algumas centenas de anos? Historiadores concluem que ele foi derrotado pela falta de moralidade.

Todos conhecemos a história: os triunfantes macabeus, tendo capturado Jerusalém e reorganizado o Templo, colocaram suas forças numa prioridade: acender a Menorá. Encontraram um frasco de óleo, e a chama que deveria durar por um dia queimou por oito. Então, por 2.000s anos desde então, os Judeus ao redor do mundo comemoram acendendo suas Chanukiot.

O que é tão especial na Menorá que os macabeus a fizeram sua prioridade, e que os Sábios definiram ser o foco primário da celebração de Chanucá?

Para responder, precisamos de algumas informações:

A Torá descreve a Menorá do Templo como um candelabro de sete braços, com copos decorativos, manoplas e flores, tudo baseado numa única e sólida peça de ouro. Mas a Torá apresenta um interessante detalhe: "Quando acender a Menorá, esteja seguro de que as (6) luzes exteriores estejam voltadas para o centro." (Exodus 25:31-37).

Mas o que as seis luzes exteriores representam, e porque devem elas apontarem para a sétima, ao centro?

Os seis braços exteriores da Menorá representam os seis ramos do conhecimento secular - física, filosofia, astronomia, medicina, música e matemática. Mas a Torá está dizendo que a sociedade não pode se basear somente no conhecimento. A não ser que está informação esteja focada e direcionada para o centro - simbolizando D'us, a Torá e a espiritualidade - se não, este conhecimento será em vão, ou pior, destrutivo.

Conhecimento sem Sabedoria?

A Grécia foi um império poderoso. Os gregos promoveram a moda da beleza, jantares finos, música sonora, arte estética, atletas vigorosos, diversão cativante e uma variedade de atividades estimulantes. Os gregos foram os mais avançados e sofisticados de seu tempo. Não fosse por sua excelência (aplicando o conceito moderno), jamais teríamos descoberto os transplantes do coração, o ballet, o tranporte aéreo ou ainda a Internet.

Mas por que o Império Grego não sobreviveu mais que algumas centenas de anos? Historiadores concluem que ele foi derrotado pela falta de moralidade. Conhecimento, sem D'us, é a receita para o desastre. Simplesmente não podemos e não iremos sobreviver sem uma clara direção moral.

Claro, os gregos tinham seus deuses. Um grande panteão de deuses de fato. Mas estes eram deuses feitos pelo homem, do tipo que tinham comportamento imoral por eles mesmos. O homem não é capaz de desenvolver seu próprio sistema objetivo, pois o homem - como parte do grupo para o qual o sistema foi criado - é inerentemente subjetivo. Os deuses gregos não eram do tipo pelo qual se aspirava; eram deuses que podiam justificar o comportamento corrompido do ser humano.

Um exemplo gritante de "moralidade sofisticada" é a Alemanha Nazista. A Alemanha era conhecida por suas instituições acadêmicas de ponta, avanço nas artes, e uma conduta social impecável. E para onde tudo isso levou? Na Conferência de Wansee (o encontro nazista que formulou a "Solução Final" - o extermínio de todos os judeus), 9 dos 13 participantes eram PhDs. Estas eram as mentes científicas mais criativas de todo o mundo civilizado da época. Ainda assim, usaram seu poder para o mal absoluto.

A Torá e o Conhecimento Trabalhando Juntos

Se a Torá é tão central, por que precisamos dos outros 6 ramos da Menorá? O Talmud diz "Não há Torá sem derech Eretz", o que significa que não podemos separar nosso conhecimento do mundo da compreensão da Torá. Usados adequadamente, todos os 7 ramos iluminarão o nosso mundo da melhor maneira possível.

O maior comentador do Talmud de todos os tempos, Maimônides, era também um médico talentoso, e escreveu extensivamente sobre tópicos como a medicina medieval, filosofia e metafísica. (Ver Mishne Torá - Fundamentos da Torá, Cap 2.) O Gaon de Vilna (Europa, séc XVIII) escreveu livros sobre geometria, astronomia e álgebra.

D'us ordenou que a Menorá fosse feita de uma única pedra de ouro, pois toda a sabedoria trabalha em conjunto na criação de um mundo santificado e em paz.

A Luz do Templo

Esta luz da Torá é simbolizada pela Menorá no Templo. O Talmud explica que as janelas do Templo eram de uma construção não usual. Usualmente, janelas são construídas mais largas na parede interna, e mais estreitas na parede externa, para que mais luz possa banhar o ambiente interno.

No Templo, entretanto, o contrário era o que ocorria: as janelas eram mais estreitas do lado de dentro, e mais largas do lado de fora - porque desde o interior do templo, a luz espiritual sai para iluminar todo o mundo. Esta luz guia, orienta, esclarece. E era isso que o profeta Isaías quis dizer quando chamou o Povo Judeu de "Luz para as Nações" (Isaias 42:6).

Quem ensinou o mundo a moral e a ética, se não o Povo Judeu? Certamente não foi Esparta e nem Atenas, nem os romanos e nem os persas. O que aconteceria se alguem parasse um guerreiro a caminho da pilhagem, estupro e assassinato e perguntasse por qual base filosófica ele tinha o direito de atacar? Sua resposta seria simples: "O poder dá o direito!".

Os que pregavam o mundo sob outra visão eram os judeus. Nossa Torá e nossos profetas deram ao mundo ocidental:

- E amarás ao seu próximo.

- Proclamar a liberdade por toda a terra. (no Liberty Bell)

- Todos os homens são criados igualmente.

- E transformarão suas armars em arados. (no prédio da ONU)

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Lições de Chanucá para Hoje

Moral e ética são o legado judaico, e é por essa razão que não se celebra Chanucá com uma parada militar. Veneramos o Rei David não por que era um guerreiro, mas apesar disso. Ele não pôde construir o Templo, embora o desejasse, pois suas mãos estavam sujas de sangue. E isso que ele apenas havia lutado a comando de D'us. Seu filho Salomão, o homem de paz, foi quem pode construir o Templo.

O Midrash (Parashat Behaalotecha) cita D'us dizendo a Aron, o Sumo Sacerdote: "Acender a Menorá será sua eterna contribuição ao Povo Judeu." Os comentaristas questionam: O acendimento da Menorá era feito somente quando o Templo existia? Então o que significaria para nós, hoje em dia, que "o acendimento da Menorá é eterno?"

A resposta é que as verdades que absorvemos da Torá são eternas. Particularmente, à medida em que a sociedade caminha crescentemente na direção das questões éticas, a verdade da Torá é mais preciosa hoje do que nunca. Num mundo cheio de questões como clonagem, eutanásia e os desabrigados, a Torá ilumina o delicado caminho da lógica e da razão.

Como diz o Rei Salomão em Provérbios 6:23, "As mitzvot são as velas - e a Torá é a luz." Este é o significado da Menorá, e esta é nossa mensagem de Chanucá.

A Necessidade de Moralidade
Rabino Shraga Simmons

A moralidade mantém a civilização junta; sua ausência, leva ao caos. A beleza do Judaísmo é que podemos constantemente balizar nossas ações em relação às obrigações da Torá. A Torá é nosso entorno moral. É nosso contorno, padrão e objetivo. Nos dá uma direção e é uma guia contra o extremismo.

E é através da Torá que a humanidade é guiada por leis contra a exploração no trabalho, fofoca, excesso de trabalho, poluição e outros abusos do indivíduo e da sociedade. Sem uma guia moral, sem as orientações da palavra de D'us, qualquer coisa pode acontecer e podemos perder o controle de nossas vidas.

Aldous Huxley, em seu ensaio, "Confissões de um Ateu Professo" (Report Magazine, Junho, 1966), explica sua razão para rejeitar o único, verdadeiro D'us:

"Eu tinha motivos para não querer que o mundo tivesse significado; eu consequentemente assumia que não tinha nenhum... Para mim, e sem dúvida para a maior parte dos meus conteporâneos, a filosofia do sem significado era essencialmente um instrumento de liberação. A liberação que queríamos era... a liberação de um certo sistema de moralidade. Nós tínhamos objeções em relação à moralidade, porque interferia com nossa liberdade sexual."

Fonte: Aish HaTorah