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18/Dec/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Iom Zikaron

Tzahal: Um exército com coração

O Exército de Defesa de Israel acredita que tem o dever não apenas de defender o país, mas também de fortalecer os grupos e indivíduos mais fracos na sociedade israelense.

O que um oficial pronto para combate no Exército de Defesa de Israel tem em comum com David Z., um senhor de 40 anos com uma severa disordem cognitiva, e Jacob M., um garoto pobremente educado, deliquente de 16 anos? A resposta é que ambos vestem uniformes do Tzahal e relizam tarefas essenciais para o exército.

O conhecimento popular do Tzahal aponta para um exército altamente profissional, sem desperdício de força de batalha: é a espetacular vitória na Guerra dos Seis Dias, a ousadia do resgate do avião sequestrado em Entebe, e mais recentemente a dura resposta ao terrorismo palestino

Entretanto, esta imagem não considera uma qualidade única do poder militar israelense, uma qualidade que David e Jacob personificam. O Tzahal possui um lado mais suave e acolhedor. O exército acredita que tem o dever de fortalecer os grupos e indivíduos mais fracos do país, além de defender o país.

O Coronel Ronnie Kalinski, oficial senior na Divisão de Educação do exército, resume a relação entre o exército e a sociedade israelense como "uma nação que constrói um exército que constrói a nação".

Esta visão é mais que a visão de um único oficial idealista; é parte do código do exército. Como tal, duas unidades de Educação têm a responsabilidade específica de promover e realizar programas orientados à comunidade.

Um foco principal destes programas é o voluntariado. Soldados dedicam parte de seu tempo livre para os grupos menos privilegiados, com dificuldades especiais nas comunidades próximas. Eles provêem companharismo para idosos isolados, e ajudam-nos com consertos, pintura e outras tarefas. Eles também trabalham com as crianças e a juventude da região, especialmente aqueles com dificuldades de aprendizado e ambientes familiares desfavoráveis, além dos deficientes.

Por exemplo, marinheiros ajudam um clube de crianças da Escola Shafririm para Educação Especial no Kibbutz Givat Chaim. O trabalho voluntário tem um segundo objetivo explícito expor os jovens soldados aos problemas da sociedade e inculcá-los com responsabilidades de boa cidadânia.

No caso de David Z., os exército se beneficia ao dar-lhe uma chance de contribuir. O Centro Internacional para Desenvovimento do Potencial de Aprendizado (ICELP) está tratando David com o objetivo de torná-lo funcionalmente independente. Ele, e outros 15 jovens como ele passam cinco dias por semana numa base próxima do exército, onde realizam trabalho essencial nas lojas, cozinhas e oficinas mecânicas.

O projeto tem qualidade incalculável. O Tzahal descobriu que o exemplo dos voluntários com necessidades especiais estimula os soldados normais a melhorar sua performance; e pediu ao ICELP que extendesse o projeto para outras bases. O presidente do ICELP, Professor Reuven Feuerstein, diz que o programa é mais efetivo que qualquer outro método de tratamento para pessoas como David.

"Eles se vêem a si mesmo como doadores, e não como dependentes da vontade de outros. A partir daí passam a ter o sentimento de normalidade e confiança caso se comportem de uma maneira que permita que sejam aceitos... Eles aprendem novos dons e hábitos de trabalho no ambiente exigente," diz ele ao Israel21C.Org.

A mãe de David vê o progresso de sua filho através de um ângulo diferente. "Ele se tornou mais sistemático e mais independente. As coisas que eu costumava fazer por ele, ele insiste em fazer sozinho; ele planeja e prepara com antecedência. Quando ele tem problemas, ele os enfrenta em vez de solicitar a autoridade de outras pessoas."

Outro aspecto do humanitarismo do Tzahal é dirigido aos chamados, eufemisticamente, 'grupos especiais' de recrutas e recrutas em potencial. O que é especial nestes grupos é que eles não atendem aos critérios regulares para o alistamento -- nível de educação, habilidade de comunicação, aceitação das normas da sociedade. Sabendo que a rejeição adicionaria o estigma associado a estas deficiências, o Exército suaviza o critério para um largo espectro da juventude problemática. Então, ajuda a remediar seus problemas ao longo do serviço. O objetivo é convertê-los em cidadãos bons e produtivos, e não transformá-los em soldados exemplares.

Mais problemáticos são os jovens que foram privados de uma educação adequada e não adquiriram respeito pela lei e pelas normas da sociedade. Eles vêm de familias disfuncionais, ou famílias que valorizaram o trabalho da criança ao invés de sua educação. Alguns abandonaram ou foram expulsos da escola, alguns são completamente analfabetos, alguns têm dificuldade no aprendizado, e alguns tem registros criminais.

Onde for possível, o Tzahal começa seu trabalho antes que os indivíduos cheguem à base de recrutamento. Os soldados especialmente treinados são enviados para as escolas para preparar as turmas próximas da idade para o alistamento, identificando alunos problemáticos para começar o trabalho com eles.

Um indivíduo que não satisfaça os critérios do recrutamento é redirecionado ao Centro de Reabilitação, que planeja programas para suas necessidades. A pessoa pode permanecer no treinamento básico por um período extendido, para ter a oportunidade de se ajustas à realidade do serviço, e para observação e avaliação de suas habilidades e necessidades. Então ele participa da decisão sobre sua alocação durante o resto do serviço. Frequentemente a pessoa tem que se satisfazer com unidades de combate menos nobres do que a que ela teria preferido, mas vários indivíduos conseguem atingir níveis adequados inclusive para para-quedistas.

O método é flexível e diversificado. No caso de Jacob M., o exército aproveita a sinergia com os objetivos de uma pnimiá (internato) de Haifa. A escola em questão é uma instituição fechada, na qual os alunos são atendidos por assistentes sociais.

Algumas crianças de lares desestruturados, várias vítimas de abuso, ou desviadas para o caminho fora da lei, e todas com baixíssimo nível de educação. O objetivo da pnimiá é adequar a criança para a integração na sociedade normal, ajudando-a a ultrapassar suas atitudes anti-sociais e sua baixa auto-estima, cobrindo as lacunas em sua educação. Em Israel, um passo importante neste objetivo é a aceitação pelo exército.

Como um meio na preparação deste que, como Jacob, a priori tem pouca chance de carregar este fardo, o vice-diretor da pnimiá, Jossi Saragosa, acerta com a base naval local para empregá-los por um ou dois dias por semana. Eles se reportam para a base de uniforme, e aprendem técnicas necessárias para alguma logística especial ou para tarefas do serviço. O projeto já demonstrou resultados concretos em seus nove anos de operação.

O Tzahal aceita a maior parte dos cadetes 'problemáticos' depois que eles passaram os três anos obrigatórios, e alguns entram na marinha. Alguns inclusive continuaram na força permanente após o serviço regular. Sargasso iniciou um acordo parecido com a Divisão de Armamentos do exército, para prover oportunidades semalhantes para garotas problemáticas.

Novos imigrantes são outro grupo especial. O Tzahal é o "melting pot" para a diversidade cultura israelense, e uma ferramenta vital para a integração. Quando recém-chegados imigrantes tem pouca habilidade com o idioma hebraico, e pouco conhecimento da estrutura e objetivos do exército, eles recebem um curso intensivo de hebraico, e são familiarizados com termos do exército e da cultura israelense.

Finalmente, há os programas para grupos com problemas específicos, por exemplo, a dificuldade de audição, e os que passaram por tratamento de reabilitação de drogas, para os quais o exército serve como um poderoso veículo de reintegração à sociedade.

O Tzahal ajuda indivíduos a ultrapassarem dificuldades particulares como parte de sua reabilitação. Facilita a conversão daqueles que o Estado não vê como judeus, e pode recomendar que a ficha criminal de um indivíduo seja zerada com base em seu comportamento no exército.

Mas a responsabilidade do Tzahal não se limita ao período do serviço militar obrigatório. Ao término do período de três anos, os indivíduos recebem aconselhamento de carreira e orientação para continuarem sua educação. Ao fazer isso, o exército isralense completa o ciclo de construir a nação pela qual foi construído.

Este artigo apareceu originalmente em www.israel21c.org

Fonte: Aish HaTorah