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24/Sep/2017
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Festas Judaicas (Chaguim)

Purim

O que Aconteceu em Purim?

Purim aconteceu há aproximadamente 2.368 anos atrás em um lugar chamado Shushan (Susa), o Irã dos dias de hoje. O rei da Pérsia, naquela época, Ahasuerus II, estava comemorando o seu 3o. reinado e ofereceu um grande banquete. Durante o banquete, ele ordenou que sua rainha Vashti se apresentasse antes dele para mostrar a todos a sua beleza. Ela se recusou a ir e foi morta por ele.

O rei entrou numa depressão profunda, até que ouviu a sugestão dos seus conselheiros e ordenou que todas as mulheres solteiras fossem levadas para a capital de Shushan. De todas elas, o rei escolheu uma que se chamava Esther, que era judia. Esther também era prima de um homem chamado Mordechai, que a aconselhou a não contar para o rei sobre suas origens.

Enquanto isso, Mordechai circulava pelo palácio cuidando de Esther. Um dia ele escutou, por um acaso, um plano para matar o rei. Ele contou para Esther, e ela por sua vez, contou ao rei. O rei investigou e matou os dois conspiradores. Desta forma, Mordechai tornou-se protegido pelo rei.

Porém, havia um homem muito ruim chamado Haman. Apresentava-se como um fiel escudeiro do rei. Ahasuerus o promoveu ao posto mais alto do reinado. De acordo com a lei, todos deveriam curvar-se diante de Haman quando o mesmo passasse. Mordechai, um judeu orgulhoso, recusou-se a curvar-se diante de qualquer ser humano. Haman ficou transtornado. Queria livrar-se de Mordechai e todo o seu povo. Bêbado, ofereceu ao rei 10.000 talents de prata (na época o valor de um talent era aproximadamente 20 a 150 libras) pelo direito de matar os judeus.

Sem explicação, o rei concordou. O rei assinou um decreto convocando a todos para destruir, matar e aniquilar todos os Judeus, homens, mulheres e crianças, em apenas um dia - o 13o dia do mês de Adar. (Haman escolheu esse dia por meio de uma loteria, um sorteio na Pérsia, daí "Purim".)

Mordechai rasgou seus trajes em sinal de luto. Todos os judeus da terra ficaram de luto. Eles se voltaram a D'us e rezaram. Eles mostravam uma força extraordinária para encarar esse desafio:ninguém optou por abandonar sua fé para salvar a própria pele. Eles permaneceriam Judeus e enfrentariam as conseqüências.

Após dedicar-se ao lado espiritual do problema – jejuando e rezando — Mordechai voltou-se ao físico, e preparou uma embarcação natural para a salvação de D'us. Ele enviou uma mensagem para a rainha fazer algo rapidamente. Esther tinha medo de ir até o rei sem ser chamada, porque se o rei estivesse de mau humor poderia matá-la por ter aparecido sem ser convidada. Mordechai disse-lhe para seguir em frente. Ela foi, e pediu ao rei para acompanhá-la junto de Haman na festa. Chegando lá Esther os convidou para uma outra festa.

Na noite antes desta segunda festa, o rei não conseguia dormir. (Ele estava paranóico com o crescente poder de Haman e a proximidade dele com a rainha.) Seus servos liam uma história do seu livro de crônicas sobre o incidente em que Mordechai salvou a vida do rei. O rei desejava recompensá-lo, e perguntou para Haman (que estava justamente no pátio do palácio só esperando uma oportunidade para falar com o rei sobre seu plano de enforcar Mordechai) o que deveria ser feito para um homem que o rei desejasse honrar? Haman supôs que o rei estava se referindo a sua pessoa, e sugeriu que esta pessoa usasse as vestimentas reais, e fosse conduzida pela cidade montada num cavalo real. O rei disse para Haman fazer exatamente isso com Mordechai. Haman levou Mordechai por toda a cidade e voltou humilhado e acabado para casa.

Na segunda festa Esther contou ao rei que Haman desejava destruir ela e seu povo. Foi a primeira vez que ela revelou a sua origem. O rei ficou enfurecido e pendurou Haman no mesmo galho que ele tinha preparado para Mordechai.

Esther então pediu ao rei enviar um comunicado dizendo que os Judeus poderiam se defender até o 13o. dia de Adar. (Ele não poderia revogar um decreto real, pois uma vez publicado não se podia rompê-lo ou voltar atrás.)

Os judeus lutaram contra seus inimigos e venceram. Eles estabeleceram a data de 14 de Adar, como o dia em que descansaram da batalha e saborearam o gosto da vitória, sendo assim, um dia de comemoração para as futuras gerações.

Purim é muito mais do que uma dramática história verídica. Enquanto tratamos externamente de uma celebração étnica, Purim traz consigo um significado espiritual muito mais elevado—a restauração da identidade espiritual do povo Judeu. Na época da história de Purim, todos os Judeus do mundo usufruíam do super poder contemporâneo, o Império Persa, que se estendeu da Índia à Etiópia. Eles eram os médicos e juízes naqueles dias. Eles eram bem sucedidos e muito orgulhosos do seu êxito. Identificavam-se com o povo que os recebeu, enquadraram- se nessa sociedade, ascenderam socialmente no pico da pirâmide social, eram Persas. Mas de alguma forma se esqueceram de D'us. Quando o prestígio, posição e poder falharam diante do ódio de Haman, mesmo quando sua própria irmã almoçou no palácio com seu maior malfeitor, eles dirigiram todas suas esperanças para o Céu e apressaram-se em voltar para os braços abertos do seu Pai. O renascimento espiritual resultante não só revigorou e revolucionou a sociedade judaica, que poucos anos depois, o Segundo Templo foi construído e os 70 anos de Exílio Persa chegaram ao fim.

Fonte: Traduzido e Adaptado por Simone R. Kertsman