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23/Aug/2017
Elul 1, 5777

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Festas Judaicas (Chaguim)

Rosh HaShaná

Ficha Técnica e Reflexões

No 1º dia do mês de Elul, Moisés subiu ao monte Sinai para pedir a D'us as novas Tábuas da Lei. A partir daí, durante 40 dias, o povo fez penitência pelo pecado da idolatria, esperando que Moisés obtivesse o perdão de D'us. Também hoje em dia, recita-se, durante 40 dias, preces especiais para implorar o perdão de D'us. Os dias de mais estrita penitência são os 10 últimos, do 1º ao 10º dia de Tishrei - asseret iemei teshuvá.

Estes dias, em que o 1º é Rosh haShaná e o 10º é Iom Kipur, são considerados Iamim Noraim ("dias temíveis") porque, ao se concluir o ano é necessário fazer um balanço sobre o que foi realizado, submeter-se a um juízo consigo mesmo, e comprometer-se com a teshuvá (retorno, arrependimento).

Selichot (preces penitenciais, literalmente = desculpas), são recitadas durante toda a semana anterior a Rosh haShaná.

Teshuvá - freqüentemente traduzida como arrependimento, na realidade significa retorno. O judaísmo enfatiza que nossa natureza essencial, a centelha divina da alma, é boa. O verdadeiro arrependimento é atingido não por meio da severa auto-condenação, mas pela percepção de que o mais profundo desejo é fazer o bem, retornar ao bem.

Rosh HaShaná

Rosh haShaná significa, literalmente, "cabeça do ano" e se refere à celebração do Ano Novo Judaico, iniciando as grandes festas. Cabeça do ano pois o homem também usa a cabeça (cérebro) para organizar sua vida, suas ações. O ano novo judaico celebra o aniversário da criação do mundo. É época de reavaliação da qualidade de nosso relacionamento com D'us. Quando Moisés intercedeu em favor dos hebreus (por terem cometido idolatria) o povo ouviu ressoar o shofar, que anunciava a presença de D'us. É um espaço temporal que serve para refletir e se comprometer com um plano de ação.

Denominações:

. O conceito de Ano Novo como é hoje, aparece na Mishná: "O começo do calendário, no dia 1ode Tishrei";

. Na Bíblia é o 7º mês e é denominado Iom Teruá (dia do toque do shofar) ou Zicaron Truá(recordação do toque do shofat);

. Na liturgia: Iom Zicaron (dia da recordação) e Iom ha Din (dia do juízo).

Rosh haShaná coicide com o outono (no hemisfério norte) - época em que os judeus iniciavam um novo ano agrícola (bem como os outros povos, no mesmo tempo e espaço).

A essência do ano novo judaico não é uma ocasião para o excesso e o júbilo incontrolado. Entra-se num período de reflexão, de auto-exame e também de recordação. O símbolo principal deste evento é o toque do shofar durante o mussaf. O shofar é como um alarme, que chama à reflexão o piedoso e, à consciência adormecida, o homem desinteressado.

Leis e costumes de Rosh haShaná:

1. Formula-se votos de um feliz ano novo aos próximos. Costuma-se enviar cartões com bênçãos e votos para o ano novo. Exemplos: Shaná Tová U-metuká (um ano bom e doce), Le-shaná Tová Tikatevu (que sejam inscritos para um ano bom).

2. Na véspera de Rosh haShaná as mulheres acendem velas (como na véspera de Shabat) e abençoam (acender vela de Iom Tov além da brachá Shehe'heianu).

3. Veste-se roupas brancas, representando a pureza da alma.

4. Come-se comidas que representem o bem, a plenitude e a feliz renovação do ano. Um costume antigo é mergulhar um pedaço de chalá, sobre o qual se faz a brachá, não no sal e sim no mel, simbolizando a doçura do ano que vem. Judeus ashkenazim costumam assar chalot redondas representando o ano redondo (cíclico) e pleno, e judeus sefaradim costumam encher um cesto com frutas e escondê-lo, simbolizando que o ano que vem também é "oculto" e não se sabe o que trará. Há muitos que comem peixes, simbolizando que "nos multipliquemos e frutifiquemos" como peixes, cenoura, como símbolo de realização material ou melância, representando segurança; uma cabeça de peixe, cordeiro ou cabrito - para que "sejamos cabeça e não rabo". Quase todos comem uma maçã no mel (tapuach bedvash) - para um ano bom e doce.

5. Intensifica-se a tefilá (reza) e o estudo da Torá. Também são acrescentados trechos nas rezas, como na Amidá e no Kadish.

6. Depois do serviço da tarde do 1º dia de Rosh haShaná, aproxima-se de um rio ou do mar e pronuncia-se: Mi El Camochá? (Quem é Deus como tu?) e se sacodem as roupas, para simbolizar o desprendimento dos pecados.

7. Se o 1º dia de Rosh haShaná cai num Shabat, cumpre-se esta cerimônia (tashlich) no 2º dia. Ela simbolicamente se refere às palavras do profeta Miquéas, cap.6: "E atirarás para as profundezas do mar todos os teus pecados..." É bom que se tenha peixes na água pois estes nunca fecham os olhos, representando a vigilância constante de D'us. Um motivo deste costume encontra-se no Midrash, que conta a lenda de quando o Patriarca Abraão estava indo sacrificar seu filho Isaac, Satã criou uma poça de água como obstáculo no seu caminho, mas Abraão continuou em frente até que a água atingisse seu pescoço. Então Abraão rezou a D'us e a água desapareceu. Em Rosh haShaná costumamos ir junto à água de um poço, rio ou mar para despertar a misericórdia divina em lembrança do sacrifício de Abraão.

8. Toca-se o shofar no 1º e no 2º dias de Rosh haShaná como mitzvá (ouvir truat shofar). Cada dia devem soar 100 toques divididos em 3 tipos: tekiá, truá e shevarim. De acordo com o costume sefaradi, toca-se 101 toques. O shofar também está associado ao sacrifício de Isaac, que foi salvo por um cordeiro preso em seus chifres, o qual foi sacrificado em seu lugar.

9. Quando Rosh haShaná cai no Shabat não se toca o shofar.

O Shofar

. Primitivo chifre de carneiro.

. É um dos primeiros instrumentos musicais de sopro da humanidade.

. Até hoje se mantém sua forma e uso das notas tradicionais.

. Seu som anuncia o ano novo e convoca ao arrependimento.

. Na antigüidade foi utilizado nos seguintes acontecimentos:


  • Sobre o Sinai, na entrega das Tábuas da Lei;

  • As muralhas de Jericó caíram com seu som;

  • O dia em que Ehud matou milhares em Moab.

  • Em épocas pós-bíblicas o som do shofar foi escutado;

  • Em caso de alarme, incêndio ou inundação;

  • Figurou magicamente na cerimônia para a chuva;

  • Seu som convoca à reflexão e à ação de vincular-se como povo, como nação e como Estado.


(Fontes: Ex30,1-10;Nm29,17;Lv25:9-16,29:34,23:24;Ez40:7;Jr8:1-11).

Tem sido usado de 3 formas diferentes através da História:


  • Antigo Israel (antes do Rei David): uso cotidiano para congregação do povo, marcha, convocações santas.


  • Período do Templo: serviços religiosos.


  • Tempo moderno: só em Rosh haShaná e Iom Kipur: chamado moral. Assim, o shofar até hoje anuncia o Ano Novo e convoca o povo ao arrependimento.


Autor: Jane Bichmacher de Glasman, Professora da UERJ, do ISTARJ, escritora