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16/Dec/2017
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Ciclo de Vida

Casamento

Por que nos apaixonamos?

O que está por trás da atração entre os sexos opostos? A sexualidade é um tema sobre o qual ninguém é neutro. Todo mundo tem uma natureza sexual, todo mundo precisa da sexualidade, todo mundo tem uma personalidade sexual constituída por sua casa, escola, erros e acertos ao longo da vida, e qualquer experiência pela qual passe ao longo da vida devido às influências sutis ou não tão sutis da sociedade em que cada um vive.

Na busca por dar sentido à nossa sexualidade, devemos procurar por suas origens. De onde vem nossa sexualidade? Neste artigo, darei enfase a duas abordagens para esta questão. Uma é a prevalescente, contemporânea, que é a abordagem científica. E então farei o contraste desta com a abordagem da Torá - especificamente a perspectiva Cabalística-Chassídica da Torá.

Há, é claro, inúmeras teorias seculares-científicas sobre a sexualidade. Vamos examinar a que parece ser a principal e dominante: a teoria da evolução ou biológica, que baseia-se essencialmente na idéia de que "a sobrevivência dos mais adequados" é a principal força da natureza e a fonte das características de qualquer criatura, desde simples organismos celulares, animais até o topo da "cadeia evolucionária", os humanos.

Desta perspectiva, nossa sexualidade deriva do fato de que a perpetuação das espécies se dá através da relação sexual entre um macho e uma fêmea. O macho irá então procurar por uma fêmea que seja mais fértil, e que gerará a descendência mais saudável; e a fêmea buscará o macho que possa prover a semente mais saudável, que seja o mais viril e que proterá aos filhotes.

Esta teoria explica muitas coisas sobre nossa sexualidade. Explica por que homens e mulheres buscam e se unem uns aos outros. Isto explica porque algumas características da mulher ou do homem são extremamente atrativas para o sexo oposto, pois refletem os elementos da fertilidade, ou sinais de saúde, que são importantes para a perpetuação da espécie.

O que esta teoria essencialmente diz é que atrás da mística e da beleza, o romance e a sensualidade em que a sexualidade humana vem envelopada, atrás de tudo isso existe uma força primária: a necessidade existir e perpetuar esta existência. Na medida em que o ser humano é um animal com um certo grau de sofisticação, a sexualidade humana evoluiu para satisfazer a esta sofisticação. O homem moderno não está preparado para pensar sobre si mesmo com uma mera máquina reprodutora que gera filhos, portanto a evolução e a biologia conspiraram para imbuir o ato sexual não apenas com prazer, mas também com uma mística que nos compele para uma jornada romântica.

Por poder olhar nos olhos da pessoa amada através da luz de de velas numa mesa para dois, o ser humano pode pensar que foi criado acima do modo de existência de sobrevivência dos mais fortes; mas, na verdade, esta "maneira elevada" é apenas uma maneira de a natureza disfarçar suas necessidades. Dois seres humanos cortejando-se um ao outro são, essencialmente, o mesmo que duas abelhas cortejando uma à outra. Uma abelha fará um zunido diferente, exalará um odor distindo, mas, no fim das contas, estas são táticas para conquistar ao sexo aposto e garantir sua prole. Da mesma forma, os acompanhamentos da sexualidade humana, o romance, as flores, a música, a luz da lua, etc são apenas a forma encontrada pela natureza de unir duas pessoas.

A natureza é rude. A natureza deve prevalescer. Portanto a natureza encontra os meios de fazer com que macho e fêmea se acasalem.

Esta é, basicamente, a abordagem científica para a sexualidade humana. Vamos agora contrastar isso com a abordagem da Torá.

A concepção da Torá da sexualidade humana está expressa nos capítulos iniciais do Genêsis, e declara que a atração sexual entre seres humanos é dirigida por uma força completamente diferente: sua busca pela imagem divina, por sua própria quintessência.

A Torá descreve o homem como tendo sido criado originalmente como um ser de "dois lados": "Macho e Fêmea Ele os criou, e Ele os chamou de Homem." D'us então dividiu esta criatura de dois lados em dois, e dividiu as metades da imagem divina para que se busquem e anseiem uma pela outra.

Eles não são meio-indivíduos; o home possui uma personalidade plena, bem como a mulher. Mas eles são elementos em sua persona transcedental, em sua completitude, que permanecem incompletos se não se encontrarem. Haverá algo faltando em cada um deles; eles antes eram parte de um todo ainda maior.

Para colocar em termos mais místicos, mais divinos: eles estão de fato buscando ser uma unidade perante a D'us.

A raça humana é essencialmente uma entidade, uma singularidade macho-fêmea. Quando um homem e uma mulher se juntam e se unem maritalmente, eles recriam a imagem divina na qual ambos constituem a unidade.

Os ensinamentos da Cabalá levam isso um passo adiante, vendo a dinâmica macho/fêmea não apenas como dois sexos em uma espécie. De acordo com a Cabalá, estas são duas formas de energia que, na forma mais abstrata, são consideradas como uma energia interna e outra projetiva. A energia feminina e a masculina existem em cada homem e em cada mulher, e em cada parte da natureza.

Até mesmo a Divindade é algumas vezes descrita no feminino, e outras no masculino. Contrariamente ao senso comum do D'us bíblico patriarcal, muitos dos atributos divinos são femininos, como a Shechiná, que é a dimensão feminina da Divindade.

Então o que temos aqui é a divisão de duas energias, e uma inclinação latente para que se tornem um todo. A raça humana foi criada à imagem de D'us, mas a raça humana é metade macho metade fêmea, e através de sua união se tornam um todo maior, aquela imagem Divina que busca pela união com D'us, que busca por uma realidade mais elevada.

Esta é a alma da atração sexual. Esta atração, que se manifesta através de diversas sensações físicas, de uma batidade de coração mais forte à atração física por alguém, é essencialmente a atração do macho pela fêmea e da fêmea pelo macho para se tornarem um todo completo, um todo Divino, conectando suas fontes em D'us. Não que tenham sido completamente desconectados; mas, conscientemente, as pessoas podem sais de seu próprio caminho individualista narcistico, até mesmo egoísta. E aqui, há uma voz em você dizendo: Eu busco algo maior que isso. Quando um homem é fisicamente atraído por uma mulher, ou vice-versa, parece ser algo muito biológico, mas, de uma perspectiva judaica, da Torá, é a manifestação física de uma atração espiritual muito profunda.

Isto não é para dizer que o conceito da Torá de sexualidade não está intrinsicamente ligado ao objetivo da criação de uma nova vida. Certamente está. Mas a perpetuação da espécie não é o único fim da nossa sexualidade. Aliás, muito pelo contrário: a natureza divina de nossa sexualidade - o fato de que a união de homem e mulher completam a imagem divina com que foram criados - é o que nos dá o poder de trazer uma nova vida para o mundo.

Portanto há algo divino com a união em si. Isto é refletido na Halachá (lei da Torá) que estende a santidade do casamento também para os casos em que a geração de prole não é possível (como em casos em que o homem ou a mulher estão impossibilitados de ter filhos por causa da idade avançada, ou são fisicamente incapazes de gerar filhos). Se a sexualidade fosse o simples mecanismo de reprodução, poderia-se dizer: "Ei, sem a perpetuação da espécie, qual o propósito do casamento e da sexualidade?" A resposta é, sim, a sexualidade pela sexualidade é sagrada. A união do homem e da mulher é um ato divino, uma experiência divina.

Fonte: Chabad.Org