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24/Sep/2017
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Religião Judaica

Cabalá

O que é a Cabala

A Cabala é a expressão da Torá do modo como o mundo funciona. Mas, se tirada de sua origem, não passa de conversa fiada.

Muitas pessoas já ouviram falar uma coisa ou outra sobre a Cabala. Mas é bastante improvável que o que se toma, hoje em dia, no mercado, como Cabala tenha alguma ligação com o seu real significado.

O que muitas pessoas têm descoberto nada mais é do que um exibicionismo de psicologia popular e auto-ajuda que finge ter alguma conexão com o misticismo judaico, quando, casos raros, realmente tem.

É fácil perceber como as pessoas são enganadas. Na maioria das disciplinas, espera-se conhecer e entender algo depois de estudá-las. Mas quando o assunto é misticismo, as pessoas esperam ser mistificadas. Então querem aceitar qualquer tolice incompreensível. A Cabala é para ser misteriosa e enigmática. Afinal, lidamos com misticismo.

Tanta besteira é apresentada sob o nome de Cabala, que é importante ter uma espécie de fórum no qual as pessoas possam encontrar as compreensões básicas do que desejam.

Nessa série, tentaremos apresentar as idéias centrais do misticismo judaico de uma maneira metódica, mas inteligente, minimizando uma terminologia abstrusa e evitando um senso de incompreensibilidade.

CABALA: O QUE É E O QUE NÃO É

A fim de entender o que é a Cabala e o que ela não é, vamos ilustrar da seguinte maneira.

Um pesquisador coloca à prova, em seu laboratório, todos os tipos de fenômenos atômicos. Ele põe em choque átomos em grandes velocidades, e grava o que ele vê acontecer. Bastante meticuloso em seu trabalho, ele até pode tirar algumas conclusões imediatas dos dados que tem em mãos. Mas ele os deixa lá.

Um grande cientista pega essas anotações, lê todas e pondera a respeito de seu significado. Começa a construir uma mega-figura e tenta prever com o que todo o sistema pode parecer. Ele sabe que não há instrumentos, e nem poderia haver mesmo, para ver realmente as partículas que ele imagina, e então ele busca metáforas que irão, corretamente, conectar os pedaços dos dados coletados pelo físico. Dessa forma, ele começa a falar em "super seqüências", "túneis atômicos", "pontes de energia" e até em "dez dimensões".

Uma terceira pessoa, que tem uma mente bastante fértil, mas nenhum senso científico, ouve tudo, às escondidas. Sua imaginação começa a funcionar e, num passe de mágica, já está espalhando pelas ruas a respeito de pessoas misteriosamente desaparecidas em túneis atômicos, e de fontes ilimitadas de energia contidas em várias das "dez dimensões".

Essas três pessoas ilustram bem as diferentes abordagens da Cabala.

Os "dados" ou os fatos que a Cabala lida são a narrativa da Torá, e todo seu conjunto de lei religiosa. O "pesquisador" representa uma pessoa que vê as leis e a narrativa como elas são, compreende seu sentido imediato, mas não vê seu desdobramento.

O "grande cientista" representa o Cabalista que vê todos os vários pontos locais e então começa a sentir o painel maior. Ele precisa de metáforas para descrever a unidade abstrata que percebe, e está ciente de que esse instrumento pode ser, provavelmente, vago e apenas aproximado da compreensão que ele próprio atingiu. Mesmo limitado nos instrumentos à sua disposição, o complexo painel que o grande cientista comunica ainda pode nos dar um sentido da realidade com a qual ele está agarrado.

E então temos o pseudo-Cabalista – o "abelhudo" – cuja Cabala, basicamente, nada tem a ver com a Torá, exceto, talvez, como um trampolim à sua imaginação. Ele descobriu "fontes de energia", "emanações divinas", e modos de "expandir a consciência", mas tudo deriva de suas ilusões fantasiosas.

RESUMINDO

A Cabala é para a Torá o que a filosofia é para a ciência.

Como a ciência, a Torá nos oferece fatos que são, de maneira plena, percebidos sensualmente (através dos sensos) e racionalmente quantificáveis.

Como a filosofia, a Cabala nos oferece o painel abstrato maior que os fatos apresentam.

A continuação dessa série vai explorar alguns fundamentos da Cabala.

Rabi Leiberman é um educador do Judaísmo em Israel e no exterior, além de ter escrito diversos livros sobre filosofia judaica e Cabala.