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16/Dec/2017
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Religião Judaica

Calendario Judaico

O Mês de Elul

O mês de Elul é o décimo segundo mês do calendário judaico na contagem desde a Criação do mundo (a partir de Tishrei), e o sexto na contagem que se inicia na saída do Egito (a partir de Nissan).

O mês de Elul é mencionado apenas uma vez na Bíblia (Neemias 6:15), e uma vez nos Apócrifos (I Macabeus 14:27).

Elul é conhecido como "o mês do arrependimento" e também como "o mês da compaixão e do perdão", e nele preparamo-nos para os dias do julgamento - HaIamim HaNoraim, os Dias Temíveis (desde a véspera de Rosh HaShaná até o final do Iom Kipur), nos quais "até os peixes do mar tremem de pavor do dia do julgamento que se aproxima".

A partir do início de Elul, toca-se o shofar diariamente após a oração matutina (Shacharit), exceto aos sábados e véspera de Rosh Hashaná, conclamando as pessoas ao arrependimento, conforme está escrito: "Tocar-se-á a trombeta [o shofar] na cidade sem que o povo se estremeça?" Inicialmente, o costume era tocar o shofar apenas no Rosh Chodesh Elul, e posteriormente passou-se a tocar durante todo o mês.

Os Ashkenazim costumam dizer "selichot" - oração que contém uma sucessão de pedidos de perdão por faltas e pecados cometidos - bem cedinho de manhã desde o motzaei shabat da última semana do ano; já os Sefaradim começam mais cedo, a partir do dia 1° ou 15 de Elul.

No passado remoto, emissários partiam de Jerusalém às comunidades distantes, a fim de informar o dia exato do início do mês de Elul (Rosh Chodesh Elul), de acordo com a lua nova, para facilitar daí o cálculo das datas importantes, a partir de Rosh Hashaná (Tratado Rosh Hashaná I 3).

O signo do mês

O signo de Elul é Virgem, conforme está escrito: "Regressa [ou: Arrepende-te], ó virgem de Israel" (Jeremias 31:20), pois Elul é o mês do arrependimento.

Durante o mês de Elul, os habitantes de Jerusalém costumam ir orar no túmulo da matriarca Raquel, situado perto de Belém, e os judeus de Tzfat costumam rezar e estudar Torá à beira da sepultura do Rabi Shimon Bar Yochai, em Meron, perto de Tzfat.

Durante o mês de Elul costuma-se terminar as cartas com votos de "um bom ano". Com o correr dos anos, adotou-se o hábito de enviar cartões de Rosh Hashaná.

Acontecimentos do mês de Elul

* 1 de Elul - No início do mês de Elul o Todo Poderoso ordenou que Moisés subisse ao monte a fim de receber as Tábuas da Lei, tocou-se então o shofar em todo o acampamento para que não cometessem novamente o pecado da idolatria. Por esse motivo, nossos sábios decidiram que "tocar-se-á anualmente o shofar no mês de Elul" (Pirkei de Rabi Eliezer XLVI); Inauguração do 1° Congresso Sionista na Basiléia (5657 - 1897); Início da 1ª Guerra Mundial (5699 - 1939)

* 3 de Elul de 5695 (1935) - Falecimento do Rabino Avraham Itzchak HaCohen Kook, Primeiro Rabino-Chefe e líder do Rabinato de Eretz Israel.

* 8 de Elul de 5661 (1921) - Fundação do primeiro moshav de Israel.

* 9 de Elul (1267) - Nachmanides (Rabi Moshé ben Nachman) faz aliá a Eretz Israel e reestrutura a coletividade judaica de Jerusalém.

* 11 de Elul de 5660 (1920) - Criação do "Gdud Avodá" (Batalhão do Trabalho) com o nome de Yossef Trumpeldor.

* 17 de Elul - Morte dos espiões que caluniaram a Terra de Israel. Entram em vigor na Alemanha as "Leis de Nuremberg", discriminando os judeus (5693 - 1933). Na época do Segundo Templo este dia foi considerado dia festivo (iom tov), por terem os habitantes zelotes de Jerusalém conseguido expulsar o exército romano de Jerusalém (Tratado Taanit).

* 18 de Elul - Shimon, o hasmoneu, foi nomeado Sumo Sacerdote, comandante do exército e presidente (nassi) dos judeus (I Macabeus 14); Falecimento do Rabino Judá Loew ben Betzalel, conhecido como o "Maharal de Praga", um dos maiores rabinos europeus do século XVI (5369 - 1609).

* 24 de Elul - Falecimento do Rabino Meir HaCohen de Radin, do movimento rabínico Mussar, um dos maiores codificadores das gerações recentes, e autor do livro "Hachafetz Chaim" (cujo tema é a proibição de lashon hará - calúnia) e de "Mishná Brurá", que trata das quatro divisões do Shulchan Aruch (5693 - 1933); Falecimento do Rabino Ben Tzion Meir Chai Uziel, Rabino-Chefe e "Rishon LeTzion" (5714 - 1954).

* 25 de Elul - Dia da Criação do mundo. Segundo o Rabi Eliezer, cujos cálculos de descendências e épocas nós aceitamos, o dia no qual foram criados o céu e a terra foi seis dias antes da criação do homem. O homem foi criado em Rosh Hashaná, logo, o primeiro dia da Criação foi 25 de Elul; Terminou a reconstrução da muralha de Jerusalém por Neemias, filho de Hacalias (Neemias 5)

* 29 de Elul de 5704 (1944) - O governo do Mandato Britânico permitiu a criação da Unidade Combatente Judaica, que representou um marco importante na organização da força defensiva combatente em Eretz Israel.

A personalidade do mês

Rabino Judá Loew ben Betzalel (conhecido como o Maharal - iniciais de "nosso mestre o Rabino Loew") de Praga, que faleceu no dia 18 de Elul de 5369 (1609)

Foi um dos maiores rabinos europeus do século XVI. Estima-se que tenha nascido em Posen, provavelmente em 1520. Estudou nas maiores yeshivot da Polônia. Foi codificador, estudioso da Cabala e filósofo, e tornou-se famoso não só por seus conhecimentos, mas também por seu ascetismo e piedade. Escreveu livros básicos sobre filosofia e mística judaicas. Além disso, era matemático e amigo do astrônomo Ticho Braha.

Era também pedagogo e acentuava a necessidade de seguir um programa escolar adaptado à idade dos alunos, condenando o costume de ensinar a crianças pequenas assuntos além de sua capacidade de compreensão. Dessa forma, antecedeu o Gaon de Vilna, que considerava ser necessário ensinar Torá às crianças de forma gradual e metódica, opondo-se à forma de ensino aceita naquele tempo: início do estudo da Guemará imediatamente após o estudo do Chumash (Pentateuco) interpretado por Rashi, sem estudar antes os Profetas, os Escritos Hagiógrafos e a Mishná.

Boa parte de suas obras constava de interpretação da Hagadá, tendo escrito uma vasta interpretação dos diversos textos da Hagadá encontrados no Talmud. Abordava o tema do relacionamento entre D'us e o Povo de Israel, no qual a Torá funciona como intermediária, e a ligação entre o exílio e a redenção. Como considerava importante a conservação da ordem natural do mundo, encarava o fato de que o povo de Israel viva fora de sua pátria como uma conseqüência anti-natural.

Nas obras que escreveu sob a influência da Cabala, o Maharal de Praga se destaca como o defensor do Talmud e da tradição contra os que deles duvidam, além de ser um estudioso da Cabala com inclinação racionalista-filosófica (seguindo o exemplo de Nachmânides - Rabi Moshé ben Nachman). O pensamento do Maharal teve grande influência sobre o movimento chassídico, sobre o Gaon de Vilna e o rabino Avraham Itzchak HaCohen Kook.

Foi rabino em diversas localidades, dentre as quais destacam-se a Morávia, Posen e Praga (onde viveu durante seus últimos onze anos de vida).

É personagem de lendas, tanto judaicas quanto tchecas, que o descrevem como possuidor de poderes extraordinários e capacidade de fazer milagres; uma delas é que tenha criado um "Golem", uma imagem de homem feita de argila que tornava-se vivo quando se colocava sobre sua testa um pedaço de papel no qual estava escrito o Nome de D'us. Quando este Nome era retirado do "Golem", este deitava-se sobre o solo como um amontoado de argila. O "Golem" servia o Maharal e sua função era impedir as ações e intenções dos inimigos do Povo de Israel que pudessem prejudicar os judeus. Uma vez, o Maharal esqueceu-se de retirar de sua testa o papel com o Nome de D'us, e então o "Golem" revoltou-se e pôs em perigo toda a cidade.

É importante destacar que os não-judeus também admiravam o Maharal de Praga, e depois de sua morte ergueram um monumento em sua memória diante da Prefeitura de Praga.

A história do mês

Rabino Avraham Itzchak HaCoehn Kook z"l, que faleceu no dia 3 de Elul de 5695 (1935)

Um turista judeu americano foi à residência do Rabino-Chefe de Israel, Rabino Avraham Itzchak HaCohen Kook, a fim de receber dele uma bênção antes de sua partida de volta à América.

Quando o rabino perguntou-lhe se havia feito algo pelo bem de Eretz Israel, o turista respondeu:

- Infelizmente, não fiz nada, nem quero fazer. Passei por alguns novos moshavim e kibutzim e não encontrei nem sequer um pioneiro sionista que coloque tefilin.

O rabino deu um profundo suspiro e respondeu-lhe:

- Realmente, é muito doloroso ver judeus que não colocam tefilin, mas por que o senhor reclama deles, quando o senhor mesmo não coloca.

O judeu americano enrubesceu e empalideceu ao mesmo tempo, e quase chorando perguntou ao rabino:

- Mas como? Por acaso o honrado rabino pensa que eu também não coloco tefilin?

- D'us me livre de pensar tal coisa, respondeu o rabino. Realmente, os pioneiros não colocam tefilin, mas o senhor não coloca as mãos nem num azulejo nem num tijolo para construir e povoar a Terra de Israel; e é sabido que esta mitzvá tem o mesmo valor que toda a Torá...

Autor: Simcha Raz
Fonte: KKL - Israel